segunda-feira, 2 de abril de 2012

PROJETO BORBOLETA

 

               nome Projeto Borboleta originou-se da observação da metamorfose da lagarta em borboleta: a feia e triste lagarta, que se arrasta pelo chão e tem aspecto asqueroso, ao sofrer sua transformação em borboleta, recolhe-se ao casulo, sofrendo total reorganização dos seus tecidos, até que, ao final do processo, luta para sair daquele envoltório onde se sente aprisionada e, quando o consegue, tem uma belíssima aparência que encanta e causa admiração e, não mais se arrasta pelo chão, passando a ter a condição de voar. O homem em estado de necessidade arrasta-se pela vida, provocando, muitas vezes, sensações de desconforto em quem o vê e, através do Projeto, tentaremos tirá-lo do estado de necessidade em que vive, transformando-se num ser humano socialmente útil, com condições de autonomia social, adquirindo um sentido na vida e uma visão de futuro, onde lhe seja permitido voar em busca de um amanhã radioso e feliz.

O Projeto Borboleta originou-se, na SEFA (Parnamirim), com a colaboração da equipe do SEPAZ (Monte Alegre) e do NELUZ (S. José de Mipibu), levando aos Moradores de Rua de Parnamirim, assistência material e social básicas, ao mesmo tempo em que inicia trabalho de assistência à população carente da comunidade de Nova Esperança, também em Parnamirim. Estamos procurando parcerias particulares ou municipais para nos auxiliarem nesse empreendimento de amor e caridade; no momento, contamos com a colaboração da CEASA, no fornecimento de alguns alimentos perecíveis e do CREAS/Parnamirim, que está nos fornecendo assistência direta organizacional.

Mas, precisamos de mais. A miséria não necessita apenas, de socorro material; necessitamos de outras parcerias para levar cidadania e educação moral aos necessitados de Parnamirim. Esta é uma população que não existe nos censos, não tem documentos, não tem teto, não tem família (em grande parte das vezes), não tem respeito próprio ou alheio e, também, nunca tem razão; muitas vezes, a drogadição faz parte dos seus hábitos de vida, criando um complicador às suas dificuldades, já tão numerosas. Se adoecem, não sabem a quem procurar e como fazê-lo; as pessoas que passam ao seu lado, têm medo de se aproximar deles, dos seus trapos e sujidades.

Entretanto, são seres humanos, os que ali estão; por motivos que desconhecemos, estão ali, hoje, nas calçadas a mendigar pão e afetividade. Provavelmente, vivenciam expiações intensamente dolorosas, que não nos cabe julgar. São nossos irmãos, filhos do mesmo Pai que nos criou amorosamente. Sofrem, choram e reclamam direitos, mas, suas lamentações caem, quase sempre, no vazio, já que ninguém as ouve e, quando as ouvem, muitas vezes, estão impotentes para tomar providências imediatas. Esbarramos na burocracia, na boa vontade, no comodismo e na falta de recursos para assisti-los; mas, queremos mudar isso; quebrar este paradigma de abandono social e levar a estes irmãos esquecidos e sofridos, não só o alívio às suas necessidades básicas, mas, principalmente, a esperança de uma vida melhor, dando-lhes uma visão de futuro construtiva, onde o imediatismo de seu cotidiano possa ser modificado para um projeto de vida digna e cidadã, baseado nas propostas do Evangelho de Jesus e das orientações de Kardec.

Esperamos que todos os que nos lerem, possam, de alguma forma, nos auxiliar, praticando assim a proposta de Kardec: ”fora da caridade, não há salvação”.

A Doutrina Espírita nos mostra a necessidade de sermos fraternos e compassivos com todos, tendo em vista, não só a nossa filiação divina, mas também, a pluralidade das existências, onde através do princípio da reencarnação, poderemos reencontrar espíritos a quem lesamos no passado; de outras vezes, poderemos nos deparar com antigos amores, nesta situação de carência generalizada, espíritos endividados, mas, certamente necessitados do nosso apoio, do nosso amor, respeito e dedicação. E, quando não for por esses motivos, que os socorramos, simplesmente, por amor e por compaixão.

Adotemos esses irmãos, procurando dar-lhes orientações morais, religiosas, ao mesmo tempo em que suprimos a sua necessidade material imediata; mas, sobretudo, busquemos meios de dar-lhes meios de começar a suprir sua própria sobrevivência, por meio de trabalho honesto e digno.

Lembremo-nos das orientações do apóstolo Paulo: “ A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.” Esta lição de Paulo nos orienta sobre a ética da caridade, demonstrando que esta deve obedecer a um planejamento, útil e equilibrado, para que possa ser contínua e eficiente. Com este objetivo, o Projeto Borboleta vem fazendo reuniões de planejamento, avaliações periódicas e adequações às suas atividades, sempre que façam necessárias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário